sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Baratas, baratas, baratas!

Acabo de matar uma barata. Ela estava andando furtiva, com aquele jeito de barata, no corredor da minha casa. Melhor dizendo, saía do corredor em direção à sala. Significa que estava num dos quartos, pois o corredor liga a área privativa ao resto da casa.


Ou seja, ela poderia estar no meu quarto, o que é uma temeridade, pois odeio baratas. Pior, se ela vinha de lá, é capaz de estar saindo de casa em busca de comida. Isto é, existe grande probabilidade de no meu quarto viver uma família inteira desse inseto horrível e repugnante.

Talvez aí no futuro, depois de 200 anos de detetizações, nós seres humanos, a glória da evolução, já tenhamos exterminado as baratas.

Mas hoje, janeiro de 2009, elas grassam, aos montes, nas pequenas brechas das nossas moradias.

E veja você como são as coisas: por conta de um período histórico chamado de Guerra Fria, nós, Contemporâneos, guardamos a crença de que a nossa espécie sucumbirá a uma guerra nuclear.

Eis um grandissísimo problema: a barata resiste à radiação. Será a grande sobrevivente de tal cataclisma. Motivo pelo qual, ao menor sinal de ataques nucleares, serei o primeiro a correr para a rua a espera do míssil. Sim, nada de abrigos, nada de fuga para regiões remotas. Quero ser imediatamente torrado pela onda de calor pós-atômica. Deus me livre de ter que ficar por aqui dividindo migalhas com um exército interminável de nojentas criaturas.

Bom, sobre baratas, o que posso dizer é que todo ser humano, vivo ou morto, as teme. Não é um temor letal, não. É algo irresistível. Um sentimento de nojo infalível e emergente. Vê-las é um desprazer. Tocá-las é uma desgraça.

A esse respeito, preciso dizer que, do ponto de vista cultural, os machos da espécie humana são considerados protetores do grupo. É coisa evolucionária, talvez se explique pelo maior porte físico em relação às fêmeas. De um modo ou de outro, num caso como esses, é tarefa do macho tomar a frente e combater o inimigo, ainda que ele esteja em franca desvantagem psicológica, como é o caso do homem com a barata.

Digo isso para relatar como travei o meu combate. Tinha chegado do trabalho e estava sentado na poltrona na frente da televisão. Tomava uma caneca de leite gelado (sempre faço isso antes de dormir, meu estresse lambe leite no pires, como um gato) quando, de soslaio, a inimiga irrompeu na sala, vinda do corredor.

Como aqui em casa levamos muito a sério a guerra infinita contra essa espécie parasita e invasora, mantemos um cronograma espartano de detetização. Motivo pelo qual ela veio ainda animada, mas já embriagada, trôpega. Deve ter passado sobre uma restinga de veneno na trilha do assalto que nos vinha fazer.

Sendo assim, tive tempo de levantar, apanhar uma pequena pá de ferro -- usada para alimentar a lareira, que jamais usei --, e, num só golpe, firme e seco, esmagá-la completamente.

O cadáver ficou lá, estendido no chão, com as antenas ainda balançando. Não o removi. Seria demais pra mim. Espero que pela manhã a Regi, gerente aqui de casa, providencie o devido trâmite do funeral.

Prometo postar um esclarecimento de como uma família de classe média se organiza. Como é a casa, o funcionamento, que negócio é esse de gerente.

Tenha paciência, meu leitor futurista, 2009 é uma imensidão...




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