Eis uma história sublime.
Estamos eu e Chicão sozinhos na cozinha. Passa um pouco das 8h30. Tomo meu café da manhã. Ele está sentado ao meu lado, na cadeirinha feita especialmente para que bebês na idade dele se alimentem.
Parêntese. Chicão tem sete meses. Ainda não anda ou engatinha. Mas já senta sozinho, segura e manipula pequenos objetos com alguma coordenação motora e, além de sugar o leite da mãe, consegue comer papinhas e outros alimentos pastosos. Já tem os dois incisivos inferiores. Os superiores rasgarão a gengiva em questão de dias. Está apto à mastigação, portanto. Fecha parêntese.
O divertimento do meu caçula atualmente é pegar objetos e jogá-los no chão. Ele gosta 1) do barulho que eles fazem ao cair; 2) do fato de que eles logo aparecem de novo na sua frente (quem estiver com ele cuida da reposição, é claro) para serem novamente arremessados.
Pois estávamos nós nesse processo interminável -- expressão que me faz lembrar do Windows e seus loopings -- quando tive o que me pareceu uma grande idéia. -- Vou pegar um pão (desses pequenos, tipo cachorro-quente) e dar a ele. Ele vai botar na boca e ficar lambendo e babando. Aí eu aproveito e tomo o café em paz.
Foi o que fiz. Peguei o pão e mostrei a Chicão. Ele, que acabara de jogar um de seus brinquedos no chão, se interessou. Esticou o bracinho, pegou o pão. Olhou, levou à boca. -- Sou um gênio, jactei-me.
Aí ele deu um grunhido (Bia, minha filha do meio, irmã e ídola do neném, chama esse ruído de resmungo). E jogou longe o pão. Depois me olhou como quem diz -- E aí, não vai lá pegar, não?
Desolado, devolvi a xícara ao pires. Levantei e fui buscar o pão. Tenho medo que, ficando ali, acabe atraindo baratas. Peguei o pão. Voltei. Sentei. Virei-me para o pequeno. Antes de executar de novo minha grande idéia, instintivamente, sem planejar, dei uma pequena mordida no pão. E, por fim, o entreguei a Chicão. Fiat lux. Ele imitou o pai. Pegou o pão e ensaiou uma dentada. Uma migalha grudou nos dois pequenos dentes. Ele a enlaçou com a língua, a fez passear pela boca, dissolveu-a com a saliva. Engoliu. Depois repetiu o movimento. E de novo. De novo.
Com a xícara na mão, sorri satisfeito. E me dei conta de que realizara ali mesmo algo que os animais, todos eles, fazem há milhares de anos. Ensinar aos filhos pelo exemplo. É o que garante a evolução. Fui, pelo menos por uns segundos, a macaca Chita mais feliz do mundo.
Imóvel vendido por governador foi pago por confecção da cunha de Cachoeira,
diz jornalO GloboOs cheques que pagaram a venda da casa do governador de
Goiá...
39 minutos atrás




2 comentários:
Você deixou o Chicão comer o pão que caiu no chão???
O chão da cozinha é limpinho...
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