quinta-feira, 16 de abril de 2009

Vestibular é coisa de criança


Por Carolina Braga

Todas as crianças já crescem sabendo o que é vestibular: uma prova bem difícil, que a gente passa a infância e a adolescência toda estudando apenas para ela. É uma maneira bastante resumida de explicar o que é o vestibular. De uma maneira mais geral, o vestibular é uma prova para ver se estamos aptos a fazer certo curso de graduação. Desde o tempo da minha avó que é assim!

Mas, ultimamente, algumas pessoas querem mudar isso.

Todos os professores que você perguntar dirão que o vestibular é um absurdo. Afinal ninguém pode medir em um dia o que passou mais de 10 anos estudando. Mas esta sempre foi à realidade do Brasil; um país subdesenvolvido, com uma educação de base de péssima qualidade. Sendo assim, criaram uma prova para se poder ingressar na universidade.

Hoje, estão querendo mudar tudo. Estão querendo usar a prova do ENEM para se entrar na faculdade. Esta, consiste em menos conteúdo e uma unificação para todas as universidades federais do Brasil. Podendo o candidato escolher o estado que quer estudar, de acordo com sua nota. Isso lembra o sistema norte americano de avaliação.

Talvez nosso presidente tenha pensado nisso pela nova parceria Lula/Obama. Foram esquecidos apenas alguns mínimos detalhes antes de ser tomada essa decisão: nos EUA, independente do estado, a qualidade dos colégios de nível fundamental e médio são iguais, todos de boa qualidade, inclusive os públicos.

Vamos falar agora do Brasil, onde, nos estados do Sul e do Sudeste, há uma qualidade de vida melhor do que nos estados do Norte e do Nordeste.

Se lá existem melhores condições de vida, existe uma melhor rede de ensino, ou seja, os colégios têm condições mais favoráveis para um bom ensino. Estou falando das escolas particulares.

Com uma condição de vida mais baixa, os estados do Norte/Nordeste apesar de ter uma boa educação, tem menores condições de expandi-las para seus jovens. Partindo dessa realidade, um aluno do Sul que tem sua média alta mas não tanto para passar em sua cidade, opta por uma universidade do Nordeste. E lá consegue a vaga.

Agora de um aluno, passemos a 100 alunos! E pelo menos metade das vagas de uma universidade nordestina (que tem uma qualidade tão boa quanto às do sudeste) será preenchida por estas pessoas. Isso sem contar com o pessoal do ensino público, que é precário em todo o Brasil independente da região.

Por saberem eles da mediocridade das escolas públicas, aumentaram as cotas para 50%! Metade das vagas! Ou seja, preconceito praticamente explícito porque eu não sei desde quando a cor da pele interfere na condição de aprendizagem de uma pessoa.

Mas e as pessoas que não tem condições de estudar em escola particular? Aí é que está a base de todo o problema! Exatamente na base. No ensino público do Brasil que não é bom. Se o ensino em escolas públicas fosse bom, não seriam necessários cotas e o vestibular talvez nunca tivesse existido.

Mas estamos falando do Brasil, logo esta nunca foi a nossa realidade. Ainda somos um país subdesenvolvido. Ainda somos um país que tem problemas na base, e nenhum problema se resolve primeiro em cima para depois resolver a base.

É exatamente o que está acontecendo, estão querendo resolver superficialmente um problema que vem desde quando somos crianças, em vez de pensarem em soluções para a base.

Talvez porque não seja interessante ter mais pessoas com bom estudo, mais pessoas com opiniões formadas, mais pessoas "perigosas". Pessoas que revolucionariam, que lutariam em favor de seus direitos e que jamais deixariam passar algo sem que fosse devidamente visto de todos os lados e todos estes fossem em pró de melhorar a vida dos brasileiros.

Tentei colocar parte de minha opinião nessas poucas linhas, parte de uma opinião que, tenho certeza, centenas de estudantes brasileiros têm. E precisamos ser revolucionários, mostrar nossa opinião para construirmos um Brasil melhor. Um Brasil sem vestibulares, mas com um bom ensino público.


Carolina Braga, 16 anos, é estudante do ensino médio no Recife, Pernambuco.

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