quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Bom dia, Tegucigalpa!

Em que grande presepada o governo brasileiro foi se meter, não?

Articulou-se nos bastidores com o tiranete da Venezuela e, pelas mãos dele, abrigou o infeliz Zelaya na embaixada em Honduras.

E agora?

A embaixada está sob cerco. O deposto cochila tranquilamente lá dentro. Partidários enfrentam o exército lá fora. Já há um morto.

O governo mandou cortar água, luz e telefone da casa onde funciona nossa representação. Os funcionários brasileiros estão sitiados.

E agora?

Se o caldo engrossar e o provisório governo hondurenho ultrapassar o limite do bom senso? Se atacar a embaixada brasileira? Iremos à guerra contra Honduras?

E agora?

4 comentários:

Thiago Freitas disse...

É difícil entender como um jornalista pode defender a situação atual de Honduras!! Como podes apoiar um governo golpista?? é óbvio que não foi necessário o golpe..tudo poderia ser resolvido através do desejo popular..que elegeu o presidente, de fato, de Honduras que é Zelaya.

Felipe Liberal disse...

Ugo,

O que acontece é que as elites dirigentes de Honduras perderam força após as seguidas mudanças das posturas políticas de Zelaya (muito bem vistas pelas classes populares), que deixou de lado a parte reacionária da plataforma política liberal de seu partido, e passou a empreender uma maior valorização da classe trabalhadora.

O salário mínimo aumentou 60% em Honduras, no governo de Zelaya. Isso ninguém fala e nem coloca nos blogs e agência de notícias.

Outro de seus “crimes”, estopim do golpe de estado verificado naquele país, foi tentar convocar um referendo no qual o povo hondurenho decidiria sobre a possibilidade de se agregar às urnas das eleições de novembro uma quarta pergunta sobre a convocação de uma Assembléia Constituinte, com vistas à uma reforma do texto constitucional.

O fato de a consulta popular ser prevista para o dia das próximas eleições inutiliza os argumentos de que Zelaya buscava sua reeleição, pois uma suposta reforma da constituição não englobaria seu mandato.

Tem muita coisa que não é debatida e simplesmente fazemos nossas próprias análises.

Um abraço.

Ugo Braga disse...

meus queridos, eu não quero dar pitaco na política de Honduras.

Zelaya, pra mim, é apenas mais um aprendiz de tiranete da modernidade. Aliás, da classe dos sabidos. Por que é originariamente do que vocês esquerdistas chamariam de "direita". Mas que, observando a onda na América Latina, passou a surfar nela em busca de... poder. Isso, porém, é problema de Honduras.

Meu ponto é bem outro.

É o buraco que o Brasil cavou pra se enterrar. Cavou com a pá de Chävez, diga-se de passagem -- esse sim, um tiranete de meia tigela.

RC disse...

Não dar pitaco, tudo bem. Agora chamar o governo de "provisório" é um pouco de eufemismo, não...